Para preparar madeira, a granulação acompanha a quantidade de material que precisa sair. Grãos 60 e 80 corrigem irregularidades mais fortes; 120 e 150 refinam a superfície; 180 e 220 entram em etapas mais finas. Uma madeira já lisa pode começar no 120, enquanto uma peça áspera exige uma etapa anterior.
O objetivo é deixar a superfície uniforme para o acabamento. Lixar mais fino do que o necessário pode diminuir a absorção de um tingidor; começar grosso demais cria riscos que depois precisarão ser removidos. Veja como escolher a sequência e onde entram as lixas Norton A237 e A219.
O que muda entre os grãos?
Dentro da mesma escala de classificação, quanto menor o número, maior a agressividade do grão. A lixa grossa remove material com mais rapidez e deixa riscos mais profundos. A fina remove menos material por passada e reduz as marcas da preparação.
- 40 a 60: remoção pesada em superfícies muito ásperas ou com acúmulo de material. Não é a partida habitual para uma peça de mobiliário já regular.
- 80 a 100: correção de imperfeições e preparação inicial de madeira que ainda precisa ser nivelada.
- 120 a 150: refinamento após a etapa inicial e preparação de madeira com poucas marcas.
- 180 a 220: suavização final da madeira ou lixamento inicial de algumas camadas de acabamento, conforme o sistema aplicado.
- 240 a 320: trabalho fino sobre camadas de acabamento. São grãos para outra etapa, não uma continuação obrigatória em toda madeira crua.
Uma sequência prática para madeira crua
Em uma peça com marcas que o grão 80 consegue remover, uma sequência possível é 80 → 120 → 180. Na primeira etapa, corrija o defeito. Nas seguintes, elimine os riscos do grão anterior. Se a madeira já está bem preparada, comece no 120 e avance para 180; o grão 80 só acrescentaria trabalho.
O ponto de parada depende da madeira e do tingidor. Para pinus, uma referência é terminar em até 180 antes de tingidor à base de óleo, ou até 220 antes de tingidor à base de água. Em madeiras duras como carvalho e maple, a referência é até 150 para tingidor a óleo e 180 para tingidor à base de água. A especificação do acabamento usado prevalece quando exigir outro preparo.
Faça a passagem para o próximo grão somente depois de uniformizar a etapa atual. Uma lixa 220 não é uma solução eficiente para apagar sulcos profundos deixados por uma lixa grossa. O toque liso também não basta: observe a superfície sob luz lateral para enxergar riscos e áreas que ainda precisam de trabalho.
Norton A237: folha para lixamento a seco da madeira
A A237 utiliza grão de óxido de alumínio sobre papel flexível. A folha de 225 × 275 mm permite cortar partes para lixamento manual, inclusive com taco. Ela serve para remover pequenas imperfeições e preparar móveis e peças de madeira, sempre a seco.
A Norton A237 grão 180 entra no refinamento de uma madeira que já passou pelas etapas de correção. É a escolha entre estas duas folhas quando ainda há pequenas marcas da preparação para suavizar.

A Norton A237 grão 220 tem ação mais fina. Use-a quando o preparo exigir esse nível de suavização, como no exemplo do pinus antes de determinados tingidores à base de água. Ela não substitui o grão 80 no nivelamento nem deve ser adotada como etapa final automática.

E entre demãos de selador, verniz ou tinta?
Nessa fase, o abrasivo trabalha sobre uma película. O objetivo é tirar pequenas asperezas, partículas e irregularidades sem atravessar o revestimento. Espere a secagem indicada para lixamento e faça passadas leves; bordas e cantos perdem a camada de acabamento mais rapidamente.
A Norton A219 No-Fil é uma linha própria para lixamento a seco de pintura, lacas, vernizes e seladores. Seu tratamento antiempastante reduz o acúmulo do material removido na lixa. Isso ajuda a manter o corte do abrasivo quando o trabalho é sobre revestimentos.
Como ponto de partida, o primeiro lixamento de selador pode ficar na faixa de 180 a 220. Em demãos seguintes, alguns acabamentos a óleo trabalham com 220, enquanto sistemas à base de água e tintas podem pedir 320. Não transfira essa sequência para toda formulação: o intervalo de secagem e o grão do produto de acabamento fazem parte do processo.
Folha, disco ou cinta: o formato também importa
Folhas e tacos atendem peças pequenas, cantos e lixamento manual. Discos são usados nas lixadeiras correspondentes, com diâmetro, fixação e furos de extração compatíveis. Cintas são úteis na remoção mais intensa em superfícies amplas e planas. Cada formato distribui o contato de um jeito; uma folha solta não substitui um disco fixado por velcro.
Nas lixadeiras vibratórias que utilizam folhas presas por grampos, o tamanho precisa permitir a fixação correta e a extração de pó prevista pela máquina. Para escolher o equipamento, veja a diferença entre lixadeira, esmerilhadeira e politriz.
Como evitar riscos, manchas e retrabalho
- Lixe no sentido dos veios no acabamento manual. Riscos atravessados tendem a aparecer mais depois da aplicação do produto.
- Use taco nas partes planas para distribuir o contato, sem concentrar toda a pressão na ponta dos dedos.
- Retire o pó entre os grãos. Antes da pintura ou do tingimento, a madeira deve estar limpa; resíduos de cola também prejudicam a absorção uniforme.
- Troque a lixa empastada ou desgastada. Pressionar mais não recupera sua capacidade de corte.
- Mantenha a máquina em movimento e evite apertá-la contra a peça. Use extração de pó, proteção ocular e proteção respiratória adequada à poeira gerada.
- A237 e A219 são lixas para uso a seco. Água não faz parte da aplicação dessas linhas.
Para uma reforma, separe primeiro a remoção do acabamento antigo da preparação da madeira e do lixamento entre demãos. Essa divisão evita tentar executar todo o serviço com a mesma folha e a mesma granulação.
Referências técnicas: Norton granulações e uso, madeira e acabamentos, A237, A219 No-Fil e restauração de móveis.
